Clique para ver álbum de fotos da visita de nossos alunosDezenas de habitantes da tribo Kuikurus, umas das 14 etnias que vivem no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, passam 45 dias por ano no sítio Toca da Raposa, em Juquitiba. Essa parceria, que existe há mais de dez anos, favorece e facilita o intercâmbio com estudantes, que podem vivenciar a cultura, costumes e hábitos indígenas. 

No dia 23 de abril, quem teve essa incrível oportunidade foram os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental do Colégio Friburgo. Além de entrevistar o cacique da tribo, assistiram a apresentações de lutas e danças, experimentaram o biju com peixe assado – principal alimentação dos índios do Xingu, conheceram o artesanato, sementes e plantas que originam as tintas para a pintura corporal, entre outras coisas.

Alunos posam com os ndiosO melhor de tudo é que nossos alunos chegaram preparados para este encontro. Até mesmo o cacique Afukaka ficou impressionado com o conhecimento dos pequenos pesquisadores sobre o Parque Indígena do Xingu e a importância dos irmãos Villas Boas na defesa dos índios. Tudo porque as turmas estão estudando e pesquisando o assunto na sala de aula.

O trabalho de pesquisa teve início com a curiosidade de descobrir quem eram e como viviam os primeiros habitantes do Brasil e como foi o encontro com os portugueses.  Estudaram algumas lendas no livro sobre os índios do Alto Xingu. Depois, divididos em duplas, os alunos pesquisaram diversos temas sobre os índios. A preparação foi tanta que muitos alunos já tinham suas perguntas na ponta da língua quando o ônibus saia da escola a caminho da Toca da Raposa.

Alunos mais do que curiosos
João Vitor conversou muito sobre o tema com a família e estava interessado em saber o significado da palavra kuikurus, além de querer saber o que é que os índios fazem quando não têm nada para fazer. João Pedro tentou encontrar na Internet o que significa o nome da tribo, mas não achou. Para Pedro Henrique a maior curiosidade era experimentar biju, a base da alimentação dos índios. Olívia queria saber sobre os costumes e Rafael sobre a cultura. Vitor compartilha da mesma dúvida de Bianca e de outras crianças: querem saber se os índios possuem documento de identidade e como sabem a idade deles. Já Marcela se interessa pelo artesanato e quer saber como eles fazem a flauta e o arco e flecha. E assim foi durante todo o trajeto. Perguntas, perguntas e mais perguntas.

Veja aqui um ÁLBUM DE FOTOS com o registro completo desta visita que os alunos fizeram à Toca da Raposa. Aproveite também para assistir ao SLIDESHOW que preparamos.

Tintas utilizadas em pintura corporalAssim que chegaram tiveram uma demonstração das tintas utilizadas para a pintura corporal dos índios. Sementes de urucum, jenipapo, óleo de pequi, tabatinga (tipo de argila branca retiradas do fundo dos rios), entre outras, foram apresentadas aos alunos. Logo depois, a maior dúvida foi esclarecida. A maioria das crianças quis fazer uma pintura no rosto justamente com o significado da palavra kuikurus: peixinho bicudo.

Diferentemente da nossa cultura, os homens são os que mais demoram a se arrumar para uma festa. Na sua tradição são os índios que mais querem chamar a atenção. As pinturas trazem diferentes significados, assim como os colares, cocares, cintos e adornos em geral.

Quanto à alimentação o cacique contou que os índios comem peixe e biju todos os dias, além de outras verduras e legumes que plantam na horta. Mas todos se preocupam com o coletivo sempre. “Nós todos da tribo somos unidos. Ninguém passa fome ou fica triste. Faz Cacique Afukakaparte da nossa tradição”, conta Afukaka, o cacique.

Afukaka contou também que está muito preocupado com o futuro do meio ambiente, principalmente com a preservação dos rios, já que vem de lá o principal sustento da tribo. “A poluição vai entrar e matar os peixes”, explica o cacique para as crianças. Ele também explicou que não está usando nenhum adereço ou pintura porque está de luto, já que seu tio, que era pajé da tribo, faleceu. Durante um ano o cacique guarda o luto que termina na festa do kuarup, quando o cacique (ou outros líderes da tribo) pode voltar a ter uma vida normal.

Todo mundo entrou na dança
Depois da apresentação da luta huka-huka, foi a hora das danças. Os alunos do Friburgo foram convidados a participar e todos entraram na roda, tocando instrumentos, aprendendo as coreografias e músicas. Foi muito divertido e emocionante. Para o aluno Lucas a parte mais legal do dia foi justamente poder participar das danças, além de entrar na oca. Maria Júlia também gostou muito da oca e sentiu falta das redes penduradas. O fato é que esta oca, três vezes menor do que as ocas que existem na tribo, é somente um exemplo para que os visitantes conheçam a “casa” dos índios.

Os monitores, que deram assistência aos alunos durante todo o dia, contaram que todos os índios que vieram para a Toca da Raposa foram instalados em um alojamento repleto de beliches. Sabe o que eles fizeram para poder dormir? Penduraram diversas redes de um beliche para o outro. Disseram que se dormirem no colchão acordam com muitas dores nas costas.

Os alunos retornaram para São Paulo conversando sobre o que aprenderam. Cada turma, agora, vai se preparar para o próximo destino: o Museu dos Índios, em Embu das Artes. Para concluir o projeto será apresentado um produto final de cada turma. Uma delas, por exemplo, vai elaborar um jornal com todas as notícias coletadas. Vamos aguardar!

CLIQUE AQUI para ler o relatório que os alunos fizeram sobre esta visita.