Por Professora Paula Trindade

Júlia Abreu, aluna do 9º ano A, foi uma das vencedoras do IV CLIPP – Concurso Literário de Presidente Prudente 2010, com o poema “Quatro dançarinas”.

A criação de universos imaginários está na mão dos escritores que, como deuses, traçam o destino do homem, lhe impondo caminhos a trilhar, lhe moldando a personalidade, criando heróis e vilões.

Pelas mãos dos poetas somos levados à intimidade das palavras, ao universo da expressão, do dizer o mundo, as emoções.

Somos enredados na trama do texto como vítimas da mais ardilosa armadilha, tecida meticulosamente pelo poeta. E, sem qualquer desejo de nos desvencilhar da teia, nos deixamos dominar, nos deixamos encantar pela arte da palavra.

Júlia Abreu, escritora habilidosa nos encanta com seus textos, nos enreda com sua arte. E agora parte para a conquista de um público maior. Parabéns e sucesso!
Veja o poema:

Quatro dançarinas

Quatro dançarinas
De saias rodadas
Que entre rimas baratas
E danças coordenadas
Foram se apresentar
No salão de um castelo.
Em suas vidas nunca viram
Nada tão belo.

De famílias pobres vieram,
Desde sempre foram amigas.
Apresentavam-se em festas,
Cantando canções antigas.
Seus vestidos, caseiros,
Estavam todos remendados.
As saias, cheias de rendas,
Eram coloridas e rodadas.

A apresentação, porém,
Dessa vez era particular.
O dono daquele castelo
Não queria festejar.
Estava aborrecido,
Queria se divertir,
Chamou as quatro dançarinas,
Que não hesitaram em vir.

Então as dançarinas
Pegaram seus melhores vestidos,
Todos com saias rodadas
De várias cores e tecidos.
Dançariam sua melhor dança,
A ocasião era importante.
O dono do castelo era rico
E pagaria bastante.

O salão onde dançariam
Era todo enfeitado
Tinha cadeiras de couro
E um lustre dourado.
No centro do salão
Havia um homem sentado.
Com certeza, era ele
Que as havia contratado.

Ele fez um gesto
E uma banda começou a tocar.
As quatro dançarinas
Puseram-se a dançar.
Um passo pra lá, um pra cá,
E dois passinhos pro lado.
Enquanto dançavam, cantavam
Meia dúzia de versinhos rimados

A terceira dançarina
Acabou errando o passo,
Saiu do ritmo e caiu
Graças a uma pisada em falso.
Empurrou a segunda,
Que derrubou a primeira,
E a quarta acabou tropeçando
Nas pernas da terceira.

O homem fez um gesto
E apareceram dois guardas.
As quatro dançarinas
Morreram guilhotinadas.
As famílias das quatro amigas
Ficaram desoladas.
As quatro dançarinas
Juntas foram enterradas.

Perto de seus túmulos
Uma placa foi colocada
E nela a seguinte mensagem
Em tinta estava gravada
“Das quatro dançarinas
De belas saias rodadas
Não sobrou nada além
De singelas frases rimadas”.

(poema inédito de Júlia Abreu, 25/03/2010)