Desde bem pequeno Diogo joga futebol. Quando estava no 3º ano do Ensino Médio foi jogar pelo Corinthians e teve que sair da escola, segundo ele “com muita dor no coração”, para poder estudar à noite e concluir seus estudos. Morou no interior e até disputou a Copa São Paulo de Juniores pelo time de Rio Claro. Hoje – o aluno que guarda como melhor lembrança do Friburgo o instinto acolhedor – está arrumando suas malas para jogar futebol nos Estados Unidos. Diogo participou de uma seletiva e foi aprovado para jogar defendendo a universidade onde também vai estudar: Barton Community College, no estado do Kansas.

Leia abaixo o depoimento do ex-aluno.

Cheguei ao Friburgo juntamente com toda a turma do Costa Braga. Já estava no 7º ano e fiquei até e metade do 3º ano do Ensino Médio.

Sempre joguei futebol, não só no colégio como em clube e escolinhas. Com 15 anos participei de uma peneira e entrei para o Corinthians. Treinava muito, mas não tive muitas oportunidades. Saia do Friburgo e ia para o Parque São Jorge para treinar. Depois os treinos passaram a ser em Itaquera. Eu faltava muito no colégio e comecei a ter problemas.

Com 16 para 17 anos fui convidado pelo ex-jogador e agente de atletas, Cesar Sampaio, para jogar no CATS (Clube Atlético Taboão da Serra). Nesta época os treinos aconteciam no período da manhã todos os dias e duas vezes por semana o treinamento era em período integral. Na sexta-feira todos os jogadores ficavam concentrados para o jogo do final de semana. Não dava mais para permanecer no Friburgo e com, muita dor no coração, precisei mudar de escola para estudar à noite.

Só tinha folgas do sábado à noite até a manhã de segunda-feira. O reveillon de 2010 passei longe da minha família. Estava na concentração para jogar a Copa São Paulo de Juniores pela equipe do Rio Claro. Logo depois da Copa Sp fui morar em Rio Claro e depois em Águas de Lindóia, onde ficava o centro de treinamento do clube.

A vida de jogador é bem sofrida e o convívio com os atletas também é bastante complicado. Sofri muito preconceito por ser estudado, ter conhecimentos, ler livros e falar em inglês. É muito triste também conviver com pessoas que apostam a sua vida no futebol. A realidade do futebol brasileiro é a seguinte: mais de 20 mil jogadores são cadastrados e nem 500 conseguem chegar à série A do campeonato.

Saí do Rio Claro e conheci a empresa Esporte Inteligente. Participei de uma seletiva e fui convidado para jogar futebol na Barton Community College, no estado do Kansas, Estados Unidos. Vou jogar futebol pela universidade e também ganhei bolsa de estudos. Estou em dúvida se faço jornalismo ou gerenciamento de esporte.
Não foi fácil! Além do vídeo de 20 minutos mostrando o meu futebol tive que estudar muito para realizar duas provas. Uma delas é um tipo de vestibular unificado da língua inglesa, obrigatório inclusive para cidadãos americanos. Consegui ser aprovado nas duas.

Sempre foi um sonho eu poder fazer intercâmbio e me aperfeiçoar na língua inglesa. Agora consegui unir o útil ao agradável e minha família está muito feliz e orgulhosa.

Vou lembrar para sempre do Friburgo. O que vem na minha cabeça quando penso no colégio é que ele tem um instinto acolhedor. Trazer a família para dentro da escola é maravilhoso, talvez por isso, considero os amigos que fiz uma verdadeira família. A relação com professores, coordenação e direção não é artificial. O aluno se sente uma pessoa especial logo que entra pela portaria. Todos te conhecem, e sabem seu nome, desde o porteiro até a direção. Você não se sente apenas mais um, é único. Sentirei saudades!

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