As turmas do 5º ano, dentro do projeto de Língua Portuguesa, já tiveram contato com três biografias diferentes do poeta e escritor, José Paulo Paes. Depois de ler e verificar os estilos de escrita os próprios alunos se preparam para também escrever uma biografia de um dos mais importantes poetas brasileiros.

Para enriquecer este trabalho, a viúva de José Paulo, conhecida como “Tia Dora”, já que é tia de aluno do Friburgo, esteve no colégio para contar detalhes da vida do poeta. Os alunos prepararam algumas perguntas para complementar as informações que já tinham. O professor de Teatro, Marcos Arilho intermediou o encontro.

Tia Dora contou sobre o trabalho de José Paulo como escritor, tradutor, ensaísta e poeta, e muitas histórias vividas e divididas com ele nos 46 anos de casamento. Leia abaixo as repostas  de Tia Dora para alguns questionamentos dos alunos e conheça também um pouco mais da vida deste grande poeta.

O início – José Paulo foi assistir uma apresentação de balé da companhia que Dora fazia parte e os dois se apaixonaram. “Foi mesmo amor a primeira vista”.

Aos 26 anos José Paulo foi diagnosticado com uma grave doença evolutiva. Pouco saia de casa e tinha um mundo todo dele voltado para os livros e poesias. Sua casa vivia cheia de amigos como Jorge Amado, Zélia Gattai e Monteiro Lobato. Dora estudou sobre a doença e aprendeu diferentes técnicas de massagens e exercícios para poder ajudá-lo. A previsão médica era que ele viveria uns 5 ou 6 anos e ele conseguiu sobreviver por mais 30 anos. “Ele nunca questionou o que aconteceu com ele. Aceitou a doença e sua situação de maneira muito corajosa.”

Nas horas vagas, o passatempo preferido de José Paulo Paes era fazer traduções de poemas. “Quando viajávamos para outro país, ele comprava a antologia dos principais poetas, um dicionário, uma gramática e começava a traduzir. Era autodidata e aprendeu nove idiomas. Ganhou um prêmio na Grécia, A Cruz de Ouro, que é dado pelo povo, por ter feito a primeira tradução de um poema grego diretamente para o português”.

Como não havia televisão ou outra distração tecnológica, desde pequeno José Paulo gostava de ler. Por sua paixão pelos livros seu talento com as palavras se tornou mais forte. A inspiração vinha de qualquer coisa. Escreveu um poema sobre os óculos, onde perguntava se quem enxergava era ele ou os óculos. Tudo era motivo para escrever.

“Muitas crianças frequentavam a nossa casa e gostavam de brincar com as palavras com José Paulo. A palavra era muito importante para ele. Um dia sugeri que ele reunisse todas as brincadeiras e trocadilhos em um livro em forma de poesia”. Assim começou o seu trabalho literário para as crianças.

José Paulo era muito tímido, um homem bom, tranqüilo e sempre disposto a ajudar os outros. A vida dele eram os livros, palavras e escritores. “Ele escrevia artigos para jornais e sempre preferia elogiar a criticar um trabalho. Chegavam cartas para ele com poemas de jovens escritores pedindo a sua análise. Quando ele achava que o rapaz tinha talento escrevia sobre ele os artigos para jornais. Ele era muito generoso.”

José Paulo dedicou 13 livros de sua obra para a companheira Dora, que foi muito aplaudida pela turma do 5º ano. “Para nós do Friburgo é um grande privilégio e muita sorte ter a Tia Dora por perto”, disse o professor Marcos Arilho, agradecendo a presença em mais uma atividade do colégio.

Tia Dora voltará no Friburgo como convidada para assistir ao Sarau de Poesias do 5º ano que acontece no início de outubro.

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